Voltando para casa
- Thaís Coli

- 5 de abr. de 2022
- 3 min de leitura
Leia ao som de: Por enquanto - Cássia Eller
Às vezes a gente gostaria de estar num desses filmes da sessão da tarde do tipo “Apenas Amigos” em que você se identifica com o nerd esquisito que muda de cidade, estuda e volta depois de um tempão... lindo e bem sucedido. Só que a vida real te prega uma peça e te encaixa bem nas cenas de um filme de uma nerd, até bonitinha, mas muito caretona e nada descolada que voltou pra cidade do mesmo jeito que saiu, apenas um pouco mais vaidosa, mas nada surpreendente, onde parece que o “final feliz” se perdeu no caminho e não estava com um GPS ou um mapa para ajudar a achar a trilha
de volta para as gravações do filme.
Nasci numa cidade pequena, dessas de novela das seis sabe?! E sempre fui muito sonhadora e tinha esperança e certeza que seria alguém importante e realizaria meus sonhos por mais loucos alguns pudessem ser, no tempo que eu havia imaginado, e eu conseguiria! Era só eu ingressar em uma ótima faculdade, ser uma boa aluna, me formar com louvor e pronto! E de quebra eu ainda conheceria um cara legal com quem eu me casaria logo depois de sair da faculdade.
No começo saiu tudo como planejado… Passei de primeira, saí do ensino médio direto pra faculdade, numa cidade distante e que eu sabia que era grande e diferente, mas não imaginei que seria tanto, e não da forma que foi, e posso dizer até um pouco traumatizante! Conheci uns caras legais, mas nenhum deles se tornou “um certo alguém” como diria Lulu Santos, trabalhei em um lugar muito bom, mas não efetivava, por ser público. E por causa do medo (a cidade estava ficando muito perigosa para meu gosto) e da solidão que eu sentia resolvi me mudar para uma cidade que mesclava as duas: não era tão grande, era possível encontrar conhecidos frequentemente, mas tinha “coisas de cidade grande”: cinema, shopping, fast food, ônibus a toda hora e etc. E aí sim! Senti como se tivesse achado “o meu lugar no mundo”. Estava tudo indo muito bem, obrigada! Maaaas… Chegou a crise: a recessão econômica que causou o aumento do desemprego e obviamente diminuiu as ofertas de emprego, inclusive a minha.
Minha única alternativa foi voltar pra casa dos meus pais, e isso não estava mesmo nos meus planos. Não entenda mal, tenho pais ótimos, mas queria independência logo. Não sei quando tudo mudou e saiu dos eixos, só sei que estou agora na minha cidadezinha, deitada na minha cama, escrevendo esse post com uma playlist linda, mas um tanto depressiva.
Eu amo minha cidade natal, mas é como se não fosse meu lugar. Na verdade, talvez até seja. Talvez ainda não tenha encontrado algo e alguém que me atraia aqui. Talvez seja eu que não consegui e nem aprendi a lidar com os olhares de algumas pessoas que me acham louca por ter voltado, já que eu estava numa cidade muito boa para “ganhar dinheiro”, sem sequer saber os reais motivos da volta. Eles só esquecem que não vale a pena perder a paz e a saúde por conta de um salário gordo. Talvez eu só tenha que ter um pouco mais de paciência, fé e não perder a esperança que dias melhores virão.
Mas tudo isso, o tempo dirá… Enquanto isso, eu vou calçar meu sapato mais confortável e vou a luta!


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